Todas as cores da vida

Aqui é um espaço que dedico as minhas reflexões, a tudo aquilo que tenho vontade de dizer e por ser politicamente correta, escrevo para mim e para aqueles que se interessarem pelo que eu falo. Aqui é meu canto, minha casa, fiquem a vontade.

quarta-feira, julho 05, 2006

Natureza do Preconceito

Muito se fala sobre preconceito e discriminação, mas poucos e faz neste país contra àqueles que sofrem deste mal, que tanto nos aflige.

Recentemente, estive falando em um seminário entre GLBTTs e Negros, e lá disse:
- O preconceito é pior que a discriminação!
Imediatamente, os negros reagiram a minha colocação e com todo o meu entendimento a isto, pois discordavam da minha afirmação e juntos, começamos a debater e refletir.

Pois bem, é sabido de que uma discriminação é gerada por um preconceito, sendo desta forma, só se combate a discriminação, atuando sobre o mal da causa, que é o preconceito. A discriminação se pode combater com leis, já o preconceito tem q ser descontruído e para tanto, é necessário uma mudança estrutural e cultural no sistema, por fim...estamos ainda a refletir.

Abaixo, coloco um texto de uma vereadora de goiânia, Marina Santana, extraído de seu site: www.marina13.com.br

02/07/2006 às 16h04min

A natureza do preconceito

Hoje é dia da Parada GLBT em Goiânia, com o tema Homofobia é Crime, e amanhã teremos a audiência pública na Câmara, aprovada por unanimidade e subscrita por vários vereadores e vereadoras.

Dei uma olhada em uns escritos do Norberto Bobbio e estou aqui na página de seu livro Elogio della Mitezza, traduzido por Marco Aurélio Nogueira como Elogio da Serenidade. No capítulo com o nome acima, extraí um trecho que, penso, vale socializar:

“O que é preconceito

Entende-se por preconceito uma opinião ou um conjunto de opiniões, às vezes até mesmo uma doutrina completa, que é acolhida acrítica e passivamente pela tradição, pelo costume ou por uma autoridade de quem aceitamos as ordens sem discussão: acriticamente e passivamente, na medida em que a aceitamos sem verificá-la, por inércia, respeito ou temor, e a aceitamos com tanta força que resiste a qualquer refutação racional, vale dizer, a qualquer refutação feita com base em argumentos racionais. Por isso se diz corretamente que o preconceito pertence à esfera do não racional, ao conjunto das crenças que não nascem do raciocínio e escapam de qualquer refutação fundada num raciocínio.

...

Podemos agora perguntar de onde o preconceito extrai tanta força para resistir, mais que qualquer outro erro, à refutação racional. Creio ser possível dar a seguite resposta: a força do preconceito depende geralmente do fato de que a crença na veracidade de uma opinião falsa corresponde aos meus desejos, mobiliza minhas paixões, serve aos meus interesses. Por trás da força de convicção com que acreditamos naquilo que o preconceito nos faz acreditar está uma razão prática e, portanto, justamente em conseqüência desta razão prática, uma predisposição a acreditar na opinião que o preconceito transmite. Esta predisposição a acreditar também pode ser chamada de prevenção. Preconceito e prevenção estão habitualmente ligados entre si. O preconceito enraíza-se mais facilmente naqueles que já estão favoravelmente predispostos a aceitá-lo. Também por isso, o preconceito como opinião errônea aceita fortemente como verdadeira distingue-se das outras formas de erro porque nestas geralmente não há prevenção: e justamente porque não há prevenção, elas são mais facilmente corrigíveis.”

...

Conseqüências do preconceito

... As conseqüências nocivas do preconceito podem ser distribuídas em três níveis diversos, que distingo por grau de gravidade ou de intensidade.

Começa-se pela discriminação jurídica. Em todas as legislações modernas, existe um princípio segundo o qual todos são iguais perante a lei. Este princípio quer dizer que todos devem gozar dos mesmos direitos. Um dos efeitos de uma discriminação é que alguns são excluídos do gozo de certos direitos.

... Uma segunda conseqüência, ainda mais grave, da discriminação é a marginalização social.

... A terceira fase do processo de discriminação – a mais grave – é a perseguição política. Aqui, entendo por perseguição política o uso também da força para esmagar uma minoria de desiguais.”

Considero preciosos esses momentos de reflexão. Como pessoa, como participante de um projeto de nação e de mundo, como eleita para redimensionar o papel do estado, onde importante e necessário.

Um brinde contra todas as formas de preconceito! Pelo direito à felicidade